
Não é só a chuva em excesso, o calor ou frio que podem danificar uma lavoura. O produtor deve estar atento a ação das pragas – insetos visíveis – e as doenças – parasitas que provocam a queda das folhas, manchas, apodrecimento e morte da planta.
Pragas
A maior parte das causa danos diretos nas plantas, porque ao se alimentarem
provocam cortes, perfurações e outros estragos irreversíveis. Os danos indiretos são causados por algumas pragas que, ao sugarem as plantas, podem transmitir organismos causadores de doenças, como os vírus.
Em relação as hortaliças, as mais comuns são formigas, pulgões, lesmas, caracóis, vaquinhas, lagartas, ácaros e mosca-branca.
Preste atenção em alguns sinais que indicam a presença de pragas como folhas comidas ou furadas que podem indicar a presença de lagartas ou vaquinhas, e estas ocorrem
principalmente quando os plantios são mais novos. Plantas cortadas rente ao solo podem indicar a presença de lagarta rosca e grilos e plantas que “desaparecem” podem indicar a presença de lesmas.
Geralmente, as pragas aparecem quando existe pouca diversificação de
cultivos ou quando ocorre um desequilíbrio.
Doenças
A planta está doente quando apresenta alguma anormalidade, chamada de sintoma. A causa da anormalidade, entretanto, necessita ser um agente biótico (patógeno) que age na planta de forma contínua, alterando sua fisiologia.
O produtor deve ficar atento, pois as doenças reduzem a produtividade e comprometem a produção das hortaliças, além de afetar a aparência dos produtos hortícolas, cujo valor é muito associado ao aspecto visual.
Em hortaliças, os sintomas mais comuns são manchas e deformações foliares, morte de partes da planta, amarelecimento, redução do crescimento, podridões, murchas, tombamento de mudas, galhas (“pipocas”) nas raízes e escurecimento de tecidos internos.
O termo patógeno quer dizer “aquilo que causa uma doença”. Qualquer microrganismo capaz de se associar à planta e provocar doença é chamado de patógeno ou fitopatógeno.
Os patógenos de plantas são, em ordem de importância, os fungos, os vírus, as bactérias e os nematoides, embora para algumas hortaliças essa ordem possa se alterar.
Os patógenos podem estar associados ao solo, ao substrato ou às sementes e mudas, podem ser conduzidos pelo vento, podem ser transmitidos por insetos, podem estar na água de escorrimento ou irrigação e podem ser espalhados por solo aderido a máquinas e veículos, entre outros.
Cuidado com a irrigação
A grande maioria dos patógenos, especialmente fungos e bactérias, necessita da presença de água na superfície da planta para que ocorra um ou mais dos seus processos de germinação, disseminação, infecção ou colonização. Portanto, a escolha do sistema e o manejo da irrigação (quantidade certa na hora certa) são essenciais para o controle de doenças.
Controlando pragas e doenças
Métodos de controle
Legislativos – Fiscalização do comércio de defensivos, decretos, leis e portarias.
Físicos ou mecânicos – Uso de armadilhas, catação manual, barreiras, irrigação por inundação, drenagem, tratamento com calor, solarização do solo.
Culturais – Rotação de culturas, escarificação, irrigação, calagem e adubação.
Fogo (para chamuscar invasoras), choques elétricos, ultrassom, radiações
Biológicos – São exercidos pelos inimigos naturais que controlam insetos, bactérias, fungos, etc; répteis, aves, insetos e até mamíferos se alimentam de organismos nocivos às plantas.Saiba que alguns pássaros, como beija-flores, pica-paus e andorinhas, alimentam-se de insetos, sendo que, à noite, 40 mil deles são devorados pelos morcegos. Gaviões e corujas se alimentam de ratos e cobras. As joaninhas se alimentam dos ovos das lagartas e também dos pulgões.
Químicos– lnseticidas (por contato ou sistêmicos), esterilizantes atraentes (feromônios).
Naturais– Não tóxicos (calda bordalesa, sabão, óleo mineral, calda viçosa, extrato pirolenhoso, óleo de Neem, etc…), plantas defensivas (arruda, cavalinha, tagetes).
Controles biológicos alternativos
Os defensivos são formulados e fabricados para eliminar insetos, fungos, pragas e outras moléstias que afetam nosso jardim; mas, também, podem prejudicar a saúde de animais domésticos e de seres humanos. De acordo com o grau de toxidade, os agrotóxicos são classificados em 4 grupos.
I – Classe 1, faixa vermelha, extramemente tóxico
II – Classe 2, faixa amarela, altamente tóxico
III – Classe 3, faixa azul, medianamente tóxico
IV – Classe 4, faixa verde, pouco ou muito pouco tóxico.
É recomendável o uso de recursos e métodos naturais para evitar envenenamentos, seja por contato ou pelas vias respiratórias, pois, se este for o caso, o nível de absorção beira os 100%, trazendo gravíssimas consequências para a saúde. Caso a praga seja persistente, e só nesse caso, deverá ser procurado um defensivo enquadrado nas classes III ou IV, pois eles oferecem um risco menor.
Atenção:
A receita do defensivo deve ser expedida por um agrônomo responsável; o produto deverá ter registro nos Ministério da Saúde e da Agricultura, que são os órgãos que autorizam o uso do defensivo para o combate das doenças e/ou pragas nas culturas indicadas na embalagem.
No momento de aplicar, vista roupa com mangas compridas, luvas impermeáveis, preferivelmente de borracha, um chapéu de abas largas para proteger a cabeça e o rosto; use também máscara de segurança e óculos de proteção. Após a pulverização, tome banho e lave, em separado, as roupas e acessórios utilizados.
Para saber mais sobre o controle de algumas pragas e doenças, acesse o material da ISLA
Fontes