Dicas básicas para a aplicação de adubos e corretivos

Encontre aqui algumas respostas para questões importantes sobre adubação e correção do solo. Para uma análise mais detalhada, contate um agrônomo na sua região.

1. Como fazer para retirar amostras de solo?

A retirada das amostras deve ser feita de acordo com a configuração do terreno e as características do solo. Numa área que apresenta topografia variada, as amostras dos pontos de maior cota devem ser retiradas separadamente das amostras onde existem baixas ou áreas mais planas. No geral, deve-se amostrar a área em forma de zig-zag, coletando amostras simples para, em seguida, serem convertidas após a mistura em uma só amostra, que é a amostra composta.

Para efeito prático e de fertilidade, nas culturas de ciclo se retira a amostra simples com profundidade de 0-20 cm. Entretanto, para as amostras nas quais serão plantadas culturas permanentes, retira-se de 0-20 e de 21-40 cm, sendo que a parte de superfície tem que ser desprezada para não interferir quanto ao teor de matéria orgânica.

2. Devemos retirar materiais orgânicos superficiais?

Sim.

3. O solo precisa ser virgem?

Pode ser em qualquer solo: tanto solo não cultivado, como solo sistematicamente cultivado. Nas culturas anuais, as amostras devem ser retiradas a cada ciclo da cultura. Para as culturas perenes, pelo menos anualmente.

4. Posso substituir madeira por folha na confecção da matéria orgânica (composto)?

Para usar a matéria orgânica, é necessário que se utilize o máximo possível de fonte de materiais. A madeira geralmente é fonte de lignina, componente muito importante para a fertilidade do solo. As folhas e cascas de grãos, frutos etc. são ricos em celulose. São importantes para compor os materiais que vão promover a fertilidade do solo, mas não são excludentes, ou seja, são todos absolutamente necessários.

5. Pode-se colocar o fósforo junto à matéria orgânica para o plantio de melancia?

Isso é imprescindível para melhor disponibilidade do elemento, assim como evitar que haja reações indesejáveis do elemento com os materiais de argila do solo, o que pode promover efeitos danosos de indisponibilidade.

6. Qual o composto ideal?

O composto ideal é aquele em que há maior diversidade de materiais usados na compostagem e que promove diversidade e aumento de micro-organismo no meio onde for usado.

7. Por que a planta morre quando se coloca muito esterco?

Não é questão de quantidade, é questão de ser o esterco “fresco”, não curtido, muito rico em nitrogênio – por exemplo, sais de amônia. Esses gases são tóxicos ao vegetal. Por outro lado, no processo de decomposição do material, ocorre uma reação exotérmica que também é prejudicial ao vegetal.

8. Podemos colocar esterco fresco na planta?

É melhor curtir o esterco.

9. Que quantidade de calcário deve-se colocar no solo?

Depende da resposta da análise do solo e do sistema de manejo da cultura.

10. Qual o melhor: pó de serragem ou esterco?

Não há comparativo, os dois são importantes e não se excluem mutuamente.

11. De quanto em quanto tempo deve se fazer a rotação de cultura?

Sempre que puder.

12. Qual o tempo que leva para decompor a massa verde?

Depende idade do material, que vai influir diretamente na reação carbono/nitrogênio. Depende também do manejo empregado no processo de compostagem. Há ocasião em que se utiliza até substâncias ricas em bactérias celulolíticas e alguns ácidos, para atuação do material na folha de compostagem, o que acelera o processo de decomposição.

13. Pode-se misturar adubo químico mineral na compostagem?

Pode, depende de necessidade refletida na análise de solo.

14. Quanto tempo leva para ficar pronta a compostagem?

Depende do manejo. Numa compostagem sólida, por exemplo, leva de 45 a 90 dias para ficar pronta, em condições normais de manejo. Em uma compostagem líquida aeróbica e semiaeróbica, pode levar de 18 a 22 dias.

15. O que acontece quando há má interpretação da análise do solo, ou quando ela não é bem feita?

O paciente principal, que é a planta, vai sofrer. É necessário que se resolva este problema, procurando não somente a coleta correta, mas a interpretação e prescrição correta.

16. Matéria orgânica é suficiente para adubação?

Quando combinada, e em proporção conveniente, sim. Porém, é muito difícil, em cultivos comerciais e extensivos, trabalhar só com matéria orgânica.

17. E quanto à deficiência de elementos minerais na matéria orgânica?

Pode ser suprida quando se tem material de diversas origens.

18. É possível a aplicação de herbicidas na fruticultura?

A rigor, não se deve aplicar herbicida em fruticultura por razões ecológicas e funcionais do solo e sua inter-relação com os micro-organismos. No caso da produção de grãos, é necessária uma maior reflexão, pois há efeitos alelopáticos mais contundentes em culturas de ciclo curto.

Perguntas sobre amostras de solo, compostagem e rotação de culturas, entre outras, respondidas pelo engenheiro agrônomo Manoel Elizeu Alvez.

Fonte:  Sebrae Agricultura

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8 comentário em “Dicas básicas para a aplicação de adubos e corretivos

  1. Petronilo Pereira Filho

    Meu quintal é cimentado, mas estou fazendo minha pequena horta em garrafas pet, baldes e jarros. Estou fazendo uma compostagem caseira com terra e restos de comida (cozidas, cascas de verduras frutas e legumes). Coloco alternadamente em um balde um pouco de terra, cubro com os restos e assim até encher o recipiente. Após 80/90 dias faço uma mistura com esterco de curral e coloco nos vasilhames com as pequenas mudas. As pimenteiras estão dando frutos de boa qualidade e pretendo diversificar com outras hortaliças e tomate cereja. O problema é que está aparecendo um fungo esbranquiçado nas pimenteiras e uns mosquitinhos branquinhos. Como combater sem uso de veneno?

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    1. Canal do Horticultor

      Olá Petronilo, os mosquitos que você fala devem ser a mosca branca. Para combatê-la, borrife nas partes atacadas uma solução de 5ml de detergente de louça para cada 1l de água. Borrife diariamente até que as moscas desapareçam.

      Para o fungo, se for um fungo mesmo, é porque suas plantas estão muito úmidas. Elas precisam de mais sol ou de menos água concentrada nos caules e folhas. Porém pode ser cochonilha, uma praga que parece com um mofo. Nesse caso, borrife calda de alho ou óleo de neem.

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