Conheça os 3 erros mais comuns no sistema de gotejamento e saiba como evitá-los

O sistema de irrigação por gotejamento é considerado uma das técnicas de irrigação mais eficientes hoje em dia, permitindo alta uniformidade de aplicação de água e nutrientes às lavouras. Além disso, ele traz inúmeras vantagens para os produtores! Entre elas a redução de gastos, redução nos custos de produção e aumento na produtividade, que pode até dobrar. E dentre os pontos positivos, o maior deles é a economia de água, um bem fundamental para o equilíbrio do planeta.

Muito utilizado nas culturas do tomate, berinjela, pimentão, pepino, feijão-vagem e morango, o gotejamento é um sistema localizado. Ou seja, a gota d’água cai próxima às raízes das plantas, reduzindo o desperdício e elevando a eficiência. Além disso, está associado a proteção do solo, pois diminui a evaporação da área e a proliferação de ervas daninhas, possibilitando até 80% de redução do consumo de água se comparado a outras formas de irrigação.


Sistema de irrigação via gotejamento em cultivo protegido 

Mas para ter um sistema efetivo e que performe reduzindo desperdícios, é fundamental que as pessoas que trabalham no campo e investem na tecnologia tenham alguns cuidados. Uma das formas de fazer isso é conhecendo os erros mais comuns que podem ocorrer no sistema de gotejamento, que são: entupimento, ressecamento/rachaduras e rompimento do sistema.

Quanto ao entupimento, ele pode ocorrer devido ao excesso de sais acumulados no buraco de saída de água. Estes sais solúveis são provenientes dos fertilizantes utilizados para nutrir as plantas. Uma dica para evitar o entupimento é, após a fertirrigação, fazer uma irrigação apenas com água, o que limpa os encanamentos. “Normalmente o pessoal faz uma irrigação de limpeza no final do dia. O ideal é que no dia, ao menos uma vez, passe apenas água pelo sistema, até mesmo pela planta”, destaca o engenheiro agrônomo Pedro Maicá dos Santos, coordenador da estação experimental da ISLA Sementes, em Itapuã (RS).

A caixa de água deve estar sempre limpa e fechada, evitando contaminações ou até mesmo a entrada de folhas, por exemplo, que podem vir a prejudicar o gotejamento. “Se a água é suja a chance de entupimento é muito maior. De qualquer forma, é raro que o problema de entupimento seja por causa de sujeira na caixa,  porque normalmente o pessoal usa a água bem limpa, mantem a caixa fechada. O gotejamento tem que ser sempre feito com uma água filtrada, já limpa”, expõe Pedro.

Outro cuidado para evitar o entupimento é observar, em caso de gotejamento em campo aberto, se não há terra ou matéria orgânica em cima da fita gotejadora. Pode acontecer devido a chuva forte ou até mesmo devido a manejo e capinas na área, que podem arrastar um pouco de terra ou folhas para cima da fita, acarretando no entupimento desta. Neste caso, sempre é essencial fazer uma vistoria nas fitas.



Uso de fitas gotejadoras em cultivo protegido de pimentões

“No sistema semi hidropônico de vasos o risco de acontecer o entupimento com terra e restos culturais é quase zero. Então é mais tranquilo. Neste caso, o risco maior é de entupimento por fertilizante ou problema gerado pelo excesso de pressão, que pode fazer com que a mangueira estoure.  O gotejamento no sistema hidropônico tu pode colocar uma bomba e não regular na pressão certa, então as mangueirinhas não aguentam. É preciso ter esse cuidado extra”, menciona Pedro. O rompimento das fitas gotejadoras é outro dos problemas mais comuns, que geralmente resultam da falta de regulagem de pressão ideal para aquele sistema. Em campo aberto também pode ocorrer devido a capina, por isso sempre é  recomendando dobrar a atenção ao capinar próximo às fitas, evitando atingi-las.


Produtores precisam ficar atentos à regulagem de pressão de água, evitando que a força da água seja superior ao que a fita consegue aguentar e, consequentemente, evitando o rompimento das fitas 

Com sol quente e chuvas em sequencia, se aumenta a possibilidade de ressacamentos e consequentes rachaduras na fita gotejadora. É possível perceber a presença das rachaduras devido aos vazamentos ao longo da fita, que em alguns casos chegam a jorrar água, ao invés apenas de pingar, afetando consideravelmente a produção.  Para evitar o ressecamento e rachadura de fitas, especialmente em lavouras de grande extensão em campo aberto, é recomendado instalar o sistema embaixo de palhada ou plástico (mulching).

   
Uso de fitas gotejadoras e sistema de Plantio Direto (SPDH) em campo aberto. O ideal para evitar ressecamentos da fita é cobri-la com palhada, como demonstram as imagens

No caso da palhada,  é essencial o cuidado com o manejo desta e possível contato de terra com os buracos da fita. “Quando não tem cobertura, o ressecamento é algo bem comum, então a troca do gotejo é mais constante. Essa é uma solução para os produtores: Trocar todo sistema de fitas, especialmente se já se notou mais de três vezes vazamentos”, informa Pedro. De acordo com ele, é preciso atenção na hora de escolher a marca da fita gotejadora,  dando preferência a fitas com mais qualidade e menos frágeis, de marcas confiáveis. “O gotejamento é mais caro que um sistema de aspersão, por exemplo, mas tem muitas vantagens. Em alguns casos é possível usar a mesma mangueira de 3 a 4 vezes, mas chega em um ponto que não tem mais como, então sempre é preciso avaliar.  Aqui na Estação não repetimos mais o uso de fitas, toda vez trocamos inteiramente a fita”, destaca. Ao notar algum problema de vazamento ou rompimento na fita, produtores podem cortar a parte prejudicada e fazer uma emenda, adaptando outra mangueira específica para o gotejo. De qualquer forma, a fita não vai durar após muitos remendos, sendo necessário em algum ponto realizar a troca de todas as fitas gotejadoras.


Os buracos das fitas gotejadoras sempre devem estar virados para cima, evitando o entupimento por excesso de sais

Uma dica valiosa para quem vai trabalhar com gotejamento pela primeira vez, é sempre usar a fita com bico pingando para cima, evitando o contato direto com o solo e os entupimentos. Em caso de cultivo em vasos é possível usar a fita virada para baixo, mas o recomendado sempre é usar para cima. Isso ocorre porque sempre permanece um pouco de água no gotejo, e quando a fita fica virada para baixo, a tendência dessa água com fetilizante é pingar ou ficar em contato com o furo do sistema, o que pode gerar entupimento por excesso de sais. Também é preciso prestar atenção para que a água pingue exatamente onde se espera, e para que não faça um caminho e pingue fora do vaso. Para isso, é necessário limpar e observar o sistema constantemente.

“Existem produtos como ácido fosfórico ou a base de fósforo para  fazer a limpeza dos encanamentos. Alguns recomendam fazer só uma passagem de água e outros recomendam deixar uma noite inteira cheio. Faz solução, manda para os canos, só que quando começa a pingar tu desliga. Essa solução fica nos canos a noite inteira, faz a reação, e no outro dia tu abre a água para passar por tudo”, informa Pedro.

Para quem cultiva em terrenos irregulares, com relevos e altitude, a dica é investir em fitas gotejadoras com autocompensantes, que garantem a uniformidade da irrigação. Essas fitas são um pouco mais caras que as tradicionais, mas fazem toda diferença em terrenos irregulares por contarem com um sistema interno que calcula a saída da mesma quantidade de água por furo, independentemente da inclinação do terreno.  De qualquer forma, é preciso ter em mente com que cultura você irá trabalhar e qual o distanciamento entre plantas, para assim saber qual será a distância entre os gotejos para o sucesso de sua lavoura. Em geral as distâncias podem ser de 20cm, 30cm e 40cm.

Saiba mais sobre as vantagens do sistema de gotejamento aqui!

 

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