Como montar um sistema de baixo custo para a produção de microverdes

Já conhece os microverdes? Eles são a nova tendência da horticultura, e além da otimização do espaço eles incentivam uma alimentação ainda mais diversa e saudável no Brasil!

 

Os microverdes são uma novidade extremamente nutritiva e saborosa, se destacando ainda pelo visual muito atrativo! Eles consistem em micro hortaliças, que são colhidas na fase da plântula (entre 7 a 15 dias após cultivo). Fáceis de produzir, os microverdes ocupam pouco espaço e proporcionam o benefício do ciclo rápido e da rotatividade, além do alto valor agregado, que pode trazer excelente retorno financeiro aos produtores rurais.


Microverdes desenvolvidos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

“A produção dos microverdes é uma inovação e ainda não tem, tecnicamente, muitas indicações. A gente fez várias tentativas para ver o que melhor se adaptava. Uma das questões é o substrato leve, outra é a escolha das espécies que vai de acordo com o que o produtor e o consumidor buscam. O uso dos microverdes começou principalmente na decoração de pratos, mas alguns estudos mostram que nesse estágio de plântula essas espécies tem maior concentração de compostos bioativos, o que seria mais um atrativo para consumir”, revela Albertina Radtke Wieth, engenheira agrônoma e mestranda em fitotecnia da UFRGS, que está desenvolvendo e avaliando experimentos com a produção de microverdes a partir de sementes da ISLA Sementes.

De acordo com ela, a princípio existiu uma apelação gourmet na produção de microverdes, com enfoque especial para a decoração de pratos, o que representa uma excelente oportunidade para horticultores que buscam investir no ramo gastronômico. Mas o sabor altamente atrativo ao paladar também tornou estas micro hortaliças uma possibilidade nos campos (ou até mesmo em contêineres, tendo em vista que requerem pouco espaço) e na hora da comercialização de materiais diferenciados. “Eles tem o sabor das plantas adultas, mas mais concentrados. O microverde de rúcula, por exemplo, é mais picante que a rúcula adulta. O de brócolis é um pouco mais suave, mas tem muito sabor de brócolis. E tem a questão da coloração, que é muito atrativa aos olhos”, destaca Albertina.


Além de trazerem sabor intenso e único, os microverdes são extremamente nutritivos! 

Albertina Radtke Wieth, engenheira agrônoma e mestranda em fitotecnia, está desenvolvendo e avaliando experimentos com a produção de microverdes a partir das sementes da ISLA. Ela compartilhou conosco os seus conhecimentos, explicando como é possível começar um sistema propício para a produção de microverdes em sua propriedade. E tudo isto com materiais simples e de baixo custo!

O que você vai precisar para montar o sistema:
– Mangueiras de aquário
– Caixas de madeira (para montar uma piscina, onde circulará a solução nutritiva/água)
– Bandejas (pode ser de torta, por exemplo – será necessário fazer furos nas embalagens)
– Ralo de pia
– Filtro de ralo de pia
– Telinha
– Plástico para forrar a caixa de madeira (filme dupla face)
– Baldes com tampa
– Bombinha de aquário
– Substrato
– Bancada ou mesa

Passo a passo para montar o sistema

1) Preparando as caixas de madeira

Caixas de madeira forradas comportam bandejas de microverdes, que levam entre 7 e 15 dias para ficarem prontos para consumo!

Em cima da bancada ou mesa, você colocará as caixas de madeira. O tamanho das caixas de madeira deve ser escolhido conforme a intenção de cada horticultor. Por exemplo, caixas maiores proporcionarão que um número maior de bandejas e, consequentemente, de microverdes seja produzido. É importante que as caixas tenham um furo em seu fundo, em uma das extremidades. Isso para que seja possível acoplar neste o ralo, por onde a água e os nutrientes voltarão ao tanque (baldes/reservatório) e serão reinseridos no sistema, que é fechado. Além disto, é fundamental utilizar um plástico para forrar a parte interna da caixa. Neste caso, indicamos o uso de um filme dupla face. Após, é indicado colocar a tela dentro da caixa, a recortando conforme o tamanho desejado. Esta auxiliará na oxigenação das raízes por impedir o contato direto destas com o fundo da caixa de madeira, além de impedir que as raízes grudem no fundo da caixa.

No caso do experimento de Albertina, caixas retangulares com 7cm de profundidade foram utilizadas. Nelas, foram dispostas bandejas de poliestireno de 14cm x 21cm, onde estavam o substrato e as sementes para a produção de microverdes.

2) Preparando as bandejas

É possível usar mini bandejas de torta ou doces, realizando furos embaixo para que as raízes entrem em contato com o sistema 

Dentro de mini bandejas, você deve colocar o substrato e cultivar as sementes, que devem ser sem agrotóxicos. É importante que cada bandeja contenha cerca de seis furos, para que seja possível o contato do substrato com a água. Após o cultivo, é essencial tapar as sementes por três dias, criando um ambiente escuro, o que dá as condições ideais para ampliar a chance de germinação dos materiais.

Para alocação dos substratos do experimento de Albertina, foram utilizadas bandejas de poliestireno de 14cm por 21cm, sem compartimentação, sendo que cada bandeja recebeu uma camada de aproximadamente 1cm de substrato.

3) Criando o sistema

Na foto é possível conferir as caixas de madeira, postas em cima de uma mesa. Abaixo os baldes utilizados como reservatório para o sistema


Na foto as bandejas onde se desenvolverão os microverdes estão dentro da caixa de madeira forrada. Ao lado direito é possível ver o cano de aquário se conectando à caixa e ao lado esquerdo o ralo que cai até o tanque/balde, criando um sistema de recirculação

Para cada caixa de madeira existe um reservatório, que pode ser feito de forma simples, com um balde reutilizado (que contenha tampa). No sistema montado na UFRGS, ele fica abaixo da mesa. Dentro de cada balda deve ser instalada a bombinha que faz a elevação da solução nutritiva, via as mangueiras, que se conectam desde o reservatório até a caixa de madeira. No retorno da solução nutritiva (abaixo do ralo da caixa) existe um filtro de pia, que é para evitar que insetos e dejetos caiam dentro da solução.

4) Como escolher o substrato

Bandejas com diversos tipos de substrato foram testadas 

No experimento de Albertina, os substratos comerciais utilizados foram: vermiculita CSC, espuma fenólica Green-up, substrato Carolina Soil, substrato Carolina Soil Orgânico e substrato S10 Beifiur. Deles, foram avaliadas a condutividade elétrica (CE), a densidade seca e o pH destes, tudo por meio do Laboratório de Análise de Substratos da UFRGS.

O ideal é o produtor ir testando o que melhor se adapta ao seu sistema e conforme os seus interesses. No caso do experimento da aluna da UFRGS, o substrato Carolina Soil proporcionou maior produtividade de microverdes de rúcula, tanto sem adição de solução nutritiva a irrigação quanto com adição. Porém, quando se visa aliar precocidade no ciclo de produção recomenda-se a adição de nutrientes, na concentração de 25%.

Para os substratos Carolina Soil Orgânico e vermiculita recomenda-se utilizá-los para produção de microgreens de rúcula com adição de solução nutritiva a 25%, para obter maior produção de massa seca e precocidade de colheita.

No vídeo você confere alguns dos resultados da experiência de Albertina e como é possível fazer um sistema para produzir microverdes em sua propriedade:

5) Irrigação
“A irrigação a gente fez vários testes, agora o nosso sistema está programado para irrigar 15 minutos a cada hora durante o dia. Em dias muito quentes é possível que tenhamos que fazer uma irrigação em espaços de tempo menores, mas a princípio nessa irrigação os microverdes estão se desenvolvendo bem”, informa Albertina.

De acordo com artigo de Albertina, onde ela descreve os procedimentos de sua experiência, a  solução nutritiva utilizada como referência foi de Santos et al. (2004), indicada para o cultivo hidropônico de forragem. Foram testadas em três concentrações: 0, 25 e 50% de sais nos distintos tratamentos, a mesma era monitorada através de medidas de condutividade elétrica (CE), mantida próxima a 0, 0,8 e 1,35 dS m-1,  e de pH, que foi mantido próximo a 6,0.

6) Cuidados em relação à condutividade
Albertina informa que em seu experimento foram realizados alguns testes com relação a condutividade. “Aqui usamos uma solução indicada para a produção de forragem, que testamos em 50% e 100% da condutividade (em torno de 1,8) e ela se adaptou super bem, teve um desenvolvimento super bom. Em comparação à água, ele é mais rápido com a solução, mas é possível desenvolver em casa com água só”, menciona. Porém, para produção à nível comercial, o indicado é utilizar solução nutritiva.

7) Cuidados ao produzir microverdes
É essencial o cuidado com a higienização e uso de sementes sem agrotóxicos, para garantir a segurança destes alimentos jovens 

Os maiores cuidados são logo após a semeadura. Os microverdes se desenvolvem melhor, aos primeiros dias, na ausência de luz. Por isso, Albertina recomenda deixar eles no escuro durante três dias. “Aqui a gente fez uma adaptação com cobertura de papelão, para facilitar a germinação. Quando tiverem todos com cerca de 1cm e bem germinados, os cuidados passam a ser principalmente com a irrigação, para não faltar em nenhum momento – ainda mais com a reserva de solução e substrato que são pequenas, é preciso o fornecimento da solução nutritiva, pra não faltar, principalmente nos dias mais quentes”.

Confira mais dicas para a produção de microverdes:

Fontes:  Produção de microgreens em diferentes substratos e concentrações de solução nutritiva – por Albertina Radtke WIETH, Wagner Dutra PINHEIRO, Tatiana da Silva DUARTE, Magnólia Aparecida Silva da SILVA, Roberta Marins Nogueira PEIL | Entrevista com Albertina Radtke Wieth

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