Viabilidade do cultivo semi-hidropônico de melão cantaloupe

Tendo em vista beneficiar os produtores rurais do Distrito Federal, assim como os consumidores, dois pesquisadores da Embrapa Hortaliças investiram em estudos sobre a viabilidade do cultivo de melão!  A iniciativa garante novos horizontes para os horticultores, além de impactar diretamente na alimentação das pessoas, garantindo mais possibilidades e sabores nas refeições.

Raphael Melo e Alexandre Morais desenvolveram experimentos que trazem novidades especialmente para os produtores de tomate e pimentão da localidade, hoje culturas vigentes produzidas em cultivo protegido. Os resultados obtidos comprovaram que o uso de sistema semi-hidropônico, aliado ao cultivo protegido, proporcionam condições ideais para a produção do melão cantaloupe, tornando essa essa alternativa uma possibilidade para a horticultura da região.


Produção de melão no Distrito Federal pode ser uma nova possibilidade para horticultores da região! 

De acordo com o pesquisador Alexandre Morais, tanto o pimentão quanto o tomate pertencem à mesma família botânica das solanáceas, o que os faz ter muitas doenças em comum. O cultivo destes materiais em sistema protegido auxilia na sanidade das plantas, enquanto  o cultivo semi-hidropônico intensifica essa proteção, dificultando o surgimento de doenças que ocorrem com as solanáceas. E o terceiro fator para o bom desenvolvimento do sistema, descoberto pelos pesquisadores, é a entrada do melão, da família das cucurbitáceas. Em um sistema de alternância ou rotação de culturas com estas duas hortaliças, o melão provocaria uma quebra na etapa de desenvolvimento de patógenos, beneficiando os materiais e o seu desenvolvimento.

O outro fator interessante diz respeito ao aspecto da lucratividade : em 90 dias o produtor já começa a colher um produto bastante consumido e com um preço atrativo, que pode chegar a R$9,00 o quilo, de acordo com análise realizada nos pontos de venda.

Todos esses componentes serviram de base ao projeto “Cultivo protegido de melões nobres em sistema semi-hidropônico: avaliação agronômica e caracterização de parâmetros fisiológicos e microclimáticos”, com atividades iniciadas em 2015.

A escolha do melão cantaloupe

Melão Híbrido Rock, variedade do tipo Cantaloupe da ISLA Sementes 

A escolha do melão do tipo cantaloupe no trabalho desenvolvido pelos pesquisadores decorreu de análises e observações sobre as possibilidades que o seu cultivo ensejaria. Tanto em termos de renda para o produtor quanto de suprimento do mercado, que hoje é dependente da importação do melão produzido em Mossoró (RN), principal polo de produção do material no país.

Como cerca de 96% da colheita é destinada à exportação para outros países, o mercado nacional fica com uma quantidade menos considerável, que é pouca para atender à demanda que vem crescendo no Distrito Federal. “Na maioria das vezes, o melão que se encontra na gôndola do supermercado não veio diretamente da transportadora – geralmente, ele passou primeiro pela central de classificação e distribuição ainda no Nordeste, antes de chegar aos pontos de venda do Distrito Federal. E se o transporte não tiver as condições ideais de refrigeração, o consumidor se depara com um melão de baixa qualidade e com preço alto”, observa Raphael.


Cultivares de melão se desenvolvendo com sistema de gotajemento

Segundo ele o preço elevado é resultado do alto apelo do público gourmet pela variedade, associada também ás exigências relacionadas ao manejo, colheita, armazenamento e transporte do material, que entram como itens relevantes que elevam os custos.

A produção do melão cantaloupe no Distrito Federal queimaria essas etapas, atendendo ao mercado local, que comercializa 300 toneladas por mês. Um montante significativo, especialmente se levada em consideração a oportunidade de ganhos para os dois lados – o produtor, por ter a possibilidade de um bom retorno financeiro a seu investimento; e o consumidor, pela disponibilidade e acesso a um produto de qualidade.

Sistema semi-hidropônico
Sistema semi-hidropônico e protegido, aliado à redes para a sustentação dos frutos, garante a produtividade de melões no DF

Os sistemas de cultivo sem solo são aqueles em que as plantas completam o seu ciclo produtivo  em recipientes contendo solução nutritiva composta por água e nutrientes (sem solo). A diferença entre esse sistema e o hidropônico clássico, onde a água percorre uma canaleta com nutrientes e passa pelas raízes, é que no semi-hidropônico utilizam-se substratos para substituir o solo, que podem ser de natureza química, orgânica ou mineral. Esses substratos são dispostos em contendores como sacolas ou vasos que, por sua vez, servem de suporte para que as mudas recebam a solução.

Consumo de água
Os experimentos conduzidos com o sistema semi-hidropônico também apontaram a eficiência no uso da água no cultivo do melão cantaloupe. Após vários testes, os pesquisadores optaram pelo sistema de irrigação por gotejamento, quando ficou definido o envio de dois litros de água por hora para cada planta. “Com esse processo, como a água em excesso é drenada e volta a circular pelo sistema, há uma economia significativa no volume de água, já que não há evaporação”, acentua Morais.

Ainda com relação à economia de água, o pesquisador chama a atenção para a relação entre a concepção do projeto e a crise hídrica vivenciada em 2015 na região. “A adoção do racionamento escalonado de água como uma medida de enfrentamento da crise influenciou as atividades previstas nas linhas do projeto, claro. Não há como ignorar que os tempos são outros e se quisermos garantir sustentabilidade aos nossos projetos de pesquisa temos que nos debruçar sobre a importância da racionalização do uso da irrigação em todos eles”, pontua Melo.

Melão personalizado

Melão personalizado pode ser tendência a ser explorada por produtores de melão do DF

Se por um lado o visual rugoso e rendilhado do melão cantaloupe pode representar um problema, já que qualquer abrasão na casca faz com que a cicatriz forme uma rede irregular, por outro lado essa característica pode significar um atrativo a mais. Essa foi a constatação do pesquisador Raphael Melo, ao conhecer os melões personalizados de um produtor em São Paulo que explorou essa suscetibilidade para oferecer um produto diferenciado a seus clientes.

“A ideia teve seguidores, e já há produtores utilizando essa ‘metodologia’ para personalizar o melão que, conforme o caso, pode ostentar o nome do supermercado, do sacolão, do hortifrúti e até de eventos corporativos”, anota o pesquisador, que realizou testes com os melões produzidos pela Embrapa. “É muito fácil, usando um arame fiz um desenho na casca que, ao cicatrizar, parecia ser próprio do fruto”, detalha Melo, que recomenda atenção para a etapa propícia para a intervenção, ou seja, “durante a fase de formação do rendilhamento, nem antes, nem depois”.

Fonte: Embrapa Hortaliças

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