Projeto Horta Santa estimula valorização dos produtores e fomento à horticultura

Cerca de 80% da produção das hortaliças do Oeste de Santa Catarina provém da Central de Abastecimento (CEASA) de Curitiba-PR. Muito forte na agroindústria, tendo como atividades principais a produção de suínos, aves e leite, a região tem pouco incentivo quanto à produção de hortifrúti. Com a finalidade de reverter esse cenário, fomentando a produção local de frutas e hortaliças e incentivando os produtores catarinenses, foi criado o projeto Horta Santa, lançado oficialmente na 20ª Itaipu Rural Show.

Apesar de marcar o início de 2018, o projeto vem sendo pensado há mais de um ano. Tem como objetivo principal promover a atividade da horticultura no oeste do estado, estimulando o acesso dos produtores a tecnologias e informações que possam acarretar na otimização do trabalho no campo e qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor final.

Confira o relato do extensionista da Epagri, Ivandro Vitor Moter, sobre o Horta Santa:

O lançamento teve formato de Dia de Campo, com intuito de compartilhar informações relevantes dos diferentes processos para o sucesso da produção, estimulando os produtores presentes a conhecerem e até mesmo integrarem o Horta Santa. Para tanto foram expostas informações sobre Plantio Direto, formas de irrigação, cultivo em solo, substrato (semi-hidropônico) e hidropônia, Sistema de Plantio Direto para Hortaliças, apresentação de materiais diferenciados e de alto potencial e também foram abordadas boas práticas na alimentação. “O momento foi dividido em estações. Teve especialista em irrigação, a palavra da ISLA Sementes sobre materiais genéticos, e uma das estações ficou com a Epagri, onde abordamos a questão de implantes de cobertura, sistema de plantio direto de hortaliças e manutenção dos níveis de matéria orgânica no solo. Basicamente a qualidade ambiental do processo de produção de hortaliças”, explica Ivandro.

Como funcionará o Horta Santa
No começo a iniciativa era formada por cerca de trinta produtores que produziam e comercializavam hortifrúti para supermercados da região.  Com envolvimento a Horta Santa foi sendo organizada, ganhando força e visibilidade. “A ideia é ampliar o setor, melhorar, produzir de forma organizada. Fazer com que o produtor saiba que se vai vender apenas mil pés de alface, tem que cultivar este número”, comenta Ivandro.

Dentro dos pontos destaque do projeto estão o estímulo aos produtores e tecnificação do trabalho no campo, organização de urgências e demandas do setor na região, comercialização com certeza de retorno financeiro e o princípio de rastreabilidade dos alimentos. Capitaneado pela Federação das Cooperativas Ágropecuárias de Santa Catarina (FECOAGRO) com três cooperativas da Região:  Itaipu, Cooper A1 e  Auriverde, tem como objetivo que os produtos hortifrútigranjeiros sejam produzidos localmente. Para isto, conta com a parceria do Governo do Estado de Santa Catarina, que entrará com recurso subsidiado para a questão das instalações e infraestrutura da produção das hortaliças. Durante o processo, a Epagri se responsabilizará pela assistência técnica nos campos e a FECOAGRO realizará a parte comercial, dando garantia de retorno financeiro para produtores que alcançarem o padrão mínimo de qualidade para as hortaliças.


Palestra sobre hidroponia durante o lançamento do projeto Horta Santa, em Pinhalzinho-SC

Ivandro reitera que a função da Epagri é levar a orientação para as lavouras, prezando principalmente pelo cuidado com a saúde do solo, que acarreta em plantas mais saudáveis e produtivas, impactando também na redução do uso de insumos e adubos químicos. “Se um produtor opta por produzir de forma orgânica e não utilizar agrotóxicos, já temos o conhecimento para dar o auxílio. Os insumos são todos alternativos, calda sulfocálcica, calda viçosa, os biofertilizantes, calda bordalesa é o principal. Mas tudo parte de um solo, um bom solo faz diferença”,  salienta.

Outro aspecto relevante do Horta Santa é a questão da rastreabilidade do alimento, processo fundamental para garantir o controle de qualidade e a comercialização de produtos livres de resíduos e contaminantes. Com ela, o consumidor sabe a origem e processos pela qual passou o que está comendo, o que intensifica os laços com os produtores rurais, proporcionando a valorização do trabalho destes de forma simbólica e econômica.  “Haverão cadernos de campo, acompanhamentos, orientação dos produtos registrados para a cultura com período de carência respeitado”, explica Ivandro.


Cultura da alface é uma das mais comercializadas no setor hortifrúti do Oeste de SC. Projeto Horta Santa visa também diversificar as produções da região!

Para o extensionista rural, a tendência é que o projeto amplie cada vez mais, gerando retorno para o Oeste de Santa Catarina e produtores locais. “No primeiro momento temos a meta de fazer pelo menos uma visita mensal de acompanhamento. E conforme a gente ver necessidades de capacitações e treinamentos específicos em algum tema, vamos promover isso conforme surgirem as demandas para horticultores”, finaliza.

 

 

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