Saiba como garantir o sucesso da produção de microverdes

Extremamente atrativos, com alto valor nutritivo e visual único, os microverdes são uma das últimas tendências da horticultura. Também conhecidos por “microgreens”, eles trazem benefícios tanto para consumidores, que podem se deliciar com novas possibilidades de alimentação saudável, quanto para os produtores rurais.

Na hora de produzir, uma vantagem para os horticultores é a otimização de espaço: em uma pequena estufa ou área é possível cultivar uma quantidade muito considerável de microverdes. Outro benefício é o ciclo curto, que garante alta rotatividade e constante comercialização dos materiais, e o uso de menos insumos. E para alcançar o sucesso da colheita, a produção requer cuidados fitossanitários, atenção ao substrato utilizado e ao tempo de cultivo, que é super curto em relação ao ciclo completo das cultivares.


Microverdes de cebola e alho-poró são um sucesso de vendas da Mighty Greens

Para sanar algumas dúvidas quanto aos materiais, suas vantagens para horticultores e a forma correta de realizar o manejo, conversamos com Pedro Calegaro, agrônomo da Mighty Greens. Ele menciona que para a produção de microverdes eles utilizam fibra de coco esterilizada a vapor e que é imprescindível que os horticultores estejam atentos ao clima e particularidades de sua região, tendo cuidado com a irrigação, possibilidade de excesso de umidade e contaminação dos materiais. “O sabor é uma das grandes vantagens do nosso produto, mas também ele é riquíssimo em antioxidantes. E dá para colher uma vez por semana, o que é uma grande vantagem para os produtores”, explicou.


Entre sete e 21 dias após o cultivo é possível colher os microverdes

Confira a entrevista com Pedro na íntegra e saiba mais: 

Canal do Horticultor: Que tipos de substratos os produtores podem usar para produzir microverdes?
Pedro Calegaro: Olha, produtores que estejam iniciando a produção eu recomendo que comecem na terra mesmo, com um substrato simples, de fácil acesso. A vermiculita é um substrato de fácil acesso que você consegue achar em qualquer lugar, qualquer casa agropecuária. E as próprias fibras de coco, tanto em pó quanto em tapete. Hoje em dia a gente vê uma tendência das pessoas de irem para a fibra de coco em tapete, e é um substrato bastante interessante por ser inerte. Mas para iniciar uma produção, ou mesmo começar em casa, você pode começar testando com a fibra de coco em pó, terra ou mesmo substratos comprados para mudas.

CH: E tem como o produtor fazer o seu próprio substrato?
PC: Você pode fazer o seu próprio substrato também! Se tiver uma compostagem, trabalhar com composteira, de repente você pode brincar, ler na internet como fazer. Tem uma série de receitas de substratos na internet que são fáceis de fazer. É muito simples, esse é um ponto que os microverdes têm bastante plasticidade, eles se adaptam muito bem aos diferentes tipos de substrato.

CH: Existe um manejo específico para cada tipo de substrato? Algum cuidado especial nesse sentido?
PC: Com certeza. É bom observar que os substratos como a vermiculita tem a capacidade de reter muita água. Então você tem que tomar um pouco de cuidado caso for usar. Se for usar substratos já comprados, como esses que encontra fácil em casas agropecuárias, sempre é bom observar se não está ocorrendo o encharcamento do substrato pra que não comprometa o enraizamento das plantas, ou cause problemas fitossanitários. Que são um problema que você pode encontrar com muita facilidade na produção de microverdes.

CH: Então os produtores da região sul do Brasil, por exemplo, onde há mais umidade, tem que ter um cuidado extra com isso?
PC: Com certeza! Sempre observando a característica climática de cada lugar. Obviamente cada produtor vai encontrar um desafio diferente. O meu desafio como produtor, no Rio de Janeiro, é diferente do desafio de um produtor do nordeste, que é diferente de um produtor do Sul do país. Cada característica de substrato, cada tipo de produtor, cada nível tecnológico do produtor vai encontrar um desafio. Isso vai variar muito. É sempre importante usar bom senso e recorrer a literatura agronômica.

CH: E tem mais alguma recomendação que tu farias pra quem vai começar?
PC: O que eu posso recomendar é que se teste, porque microverde ainda é teste. A gente consegue na Fazenda Urbana produzir produtos de excelência porque o tempo inteiro estamos em teste e utilizamos excelentes sementes, sempre sem tratamento. A maior recomendação que eu posso dar é usar sementes sem tratamento que a ISLA tá produzindo, porque se usa sementes com tratamento químico você estará consumindo agrotóxicos e fornecendo isso às pessoas, o que é terrível e vai totalmente contra a ideia do produto.

CH: Existe algum tipo de tratamento que deve ser feito na semente, como quebra de dormência, antes do cultivo para a produção de microverdes?
PC: Sim, existe uma série de tratamentos, e isso pode se adequar a cada produtor. Mas uma recomendação que se pode dar é que sempre se lave a semente com água pura (filtrada/ sem cloro) antes de semear. Água corrente para que você vá eliminando as impurezas, que podem vir do campo, e também para você estar fazendo uma escarificação física na semente, o que vai facilitar na germinação.

CH: A diferença de sabores entre as variedades é grande?
PC: A que mais saí nossa é a rúcula, que é interessantíssima para finalizar pratos e saladas. Eu não acho ela tão amarga quanto a planta adulta, mas tem gente que acha. E outro produto que é muito interessante em sabor é o alho-poró, porque ele conserva o sabor do alho-poró adulto, entretanto, ele é mais intenso e mais aromático. Então se você finalizar o prato com um pouco de microverdes de alho-poró você já vai ter um “boom” de sabor muito interessante. Outros produtos que se destacam são o agrião, que conserva bastante o sabor do produto final, de uma planta adulta no caso, e a cebola, que no ponto final pode se parecer um pouco com o alho poró mas o sabor é diferente, é um sabor muito bom para finalização de pratos. A beterraba é mais adocicada e o rabanete é mais picante. A beterraba, por ter esse sabor mais adocicado, tem seus microverdes utilizados por algumas pessoas para fazer sucos. Você pode fazer um suco verde só com microverdes de beterraba e água, ou pode fazer um suco verde levando mcroverdes da beterraba para dar mais cor, mais antioxidantes, e utilizar uma rúcula ou couve como base, que tem o gosto mais neutro. Pode usar os microverdes da beterraba como um adoçante natural de sucos também!

CH: E seria um suco super rico nutricionalmente?
PC: Exatamente. Se adicionar água de coco então, fica perfeito! E a beterraba no estado de microverde também é roxa, assim como ela comercializada tradicionalmente, então o suco com certeza vai ganhar cor.

CH: Irrigação vai depender da região da pessoa que está produzindo e da cultivar que será utilizada?
PC:
Exato. Em climas mais quentes é natural que a planta tenha maior demanda de água, em locais mais frios menos. Isso vai variar conforme cada produtor e cada sistema de irrigação que ele vai utilizar. É imprescindível que o produtor não seja uma pessoa conservadora, que esteja sempre disposto a fazer testes e começar do zero e ir inovando no processo. Esse é o maior segredo de um produtor de microverdes de sucesso: sempre inovar e acabar com o pensamento conservador.



Raízes brancas são um excelente sinal para quem produz os materiais, indicando sanidade das plantas 

CH: E o que envolveriam os cuidados fitossanitários na prática rotineira da produção?
PC: Manter o ambiente sempre o mais limpo possível né. Usar luvas no processo e máscaras, evitar que os microverdes entrem em contato com produtos de limpeza, apesar de não ser um cuidado fitossanitário é um cuidado de contaminação. E evitar usar substratos que contenham muita matéria orgânica, isso é importante na produção.

CH: E um dos principais problemas para quem produz microverdes é a possível presença de mofo? O que vocês andam reparando na produção de vocês?
PC: Atualmente nós não vimos mais problemas fitossanitários porque nós conseguimos dominar, finalmente com excelência, todo o processo. Mas é muito comum o produtor se deparar com as “melas” (folhas meladas devido a excesso de água) né, algo que é muito comum na produção de hortaliças em geral. E os problemas recorrentes em uma produção de hortaliças são exatamente os mesmos, então os cuidados devem ser exatamente os mesmos. E um cuidado especial por ser um material muito jovem e pequeno, de prestar atenção com não contaminar e fazer sempre o monitoramento dos materiais para conferir a sua sanidade.

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